O tema escolhido dessa semana para discussão, foi o uso de probióticos em esportes de resistência.
Selecionamos esse estudo com Atletas de Rugby para verificar os benefícios desse tipo de tratamento.
Disponibilizamos abaixo um breve resumo do artigo.
1.
Referência bibliográfica:
HAYWOOD, Brylee A. et al. Probiotic supplementation reduces the duration
and incidence of infections but not severity in elite rugby union players. New
Zealand. Journal of Science and Medicine
in Sports, p. 1-5, ago. 2013.
2. Introdução: Os atletas envolvidos em
exercícios intensos prolongados tendem a ser mais suscetíveis a infecções do
trato respiratório superior do que os indivíduos que praticam exercícios
moderados. É de interesse de médicos e treinadores diminuir o risco de infecção, pois ela
pode prejudicar o desempenho do atleta, ou até mesmo, perder dias de treinamento.
Os jogadores de rugby podem treinar aproximadamente de 4 a 5 horas por dia, de 5-6 dias por semana, com partidas competitivas uma vez na semana.
Esse tipo de programa de treinamento intensivo pode aumentar o risco de
infecção do trato respiratório e também da supressão do sistema imunológico.
Os probióticos podem atenuar
o risco de algumas infecções, pois alteram a microbiota do intestino, que pode estimular
a função imunológica.
Acredita-se que os benefícios da suplementação probiótica sejam específicos da cepa, pois apenas algumas têm sobrevivido ao trânsito gástrico e podem permanecer no lúmen intestinal. As cepas mais comuns usadas para promover a função imune são as bactérias lácticas: Lactobaciullus e Bifidobacterium. Vários estudos têm investigado os efeitos da suplementação probiótica e sua função imunológica em atletas de resistência, com duração de três semanas a quatro meses de intervenção. Embora as cepas probióticas, as concentrações e os métodos de administração tenham variado, os efeitos geralmente têm sido benéficos.
Acredita-se que os benefícios da suplementação probiótica sejam específicos da cepa, pois apenas algumas têm sobrevivido ao trânsito gástrico e podem permanecer no lúmen intestinal. As cepas mais comuns usadas para promover a função imune são as bactérias lácticas: Lactobaciullus e Bifidobacterium. Vários estudos têm investigado os efeitos da suplementação probiótica e sua função imunológica em atletas de resistência, com duração de três semanas a quatro meses de intervenção. Embora as cepas probióticas, as concentrações e os métodos de administração tenham variado, os efeitos geralmente têm sido benéficos.
Com isso, este estudo de intervenção
teve como objetivo investigar o efeito de quatro semanas de suplementação
probiótica na incidência, duração e gravidade das infecções durante um mês de
competição. Testando assim a hipótese de que a suplementação probiótica diminui
o número, a duração e a gravidade dos sintomas de infecção entre os atletas de
elite de rugby.
3. Metodologia: Foi realizado
um estudo randomizado, simples
cego, placebo controlado, cruzado com probiótico e placebo. Cada tratamento
durou 4 semanas, separados por um período de washout de 4 semanas, entre os meses de inverno de maio a julho
(com faixa de temperatura de - 4ºC a + 18ºC). Os probióticos ou suplementos
placebo (variáveis independentes) foram consumidos diariamente e um diário de
sintomas foi preenchido todos os dias para identificar as variáveis dependentes:
sintomas de trato respiratório superior, gastrointestinal e outras infecções.
O Comitê de Ética Humana da
Universidade de Otago aprovou este estudo, e as medidas foram descritas para
todos os jogadores antes de darem seu consentimento por escrito para participar.
No início do estudo a
amostra era composta por 34 jovens saudáveis, mas chegou ao fim do estudo com
25 participantes, com faixa etária entre 24 ± 3,6 anos. O peso no início do
estudo dos participantes foi de 104 ± 12,8kg.
Durante o período do estudo os participantes
continuaram seu programa de treino e competição normal, e orientados a manter
uma dieta normal, porém a abster-se de iogurte enriquecido com probióticos e
alimentos enriquecidos com probióticos e prebióticos ou suplementos
(probióticos, vitaminas e minerais). Os jogadores treinaram 4 vezes por semana,
durante 4h; participaram de 1 dia de competição e 2 dias de auto regeneração e
treinamento leve.
Foi fornecido aos
participantes em ordem aleatória uma cápsula de gelatina probiótica ou uma cápsula de placebo contendo
farinha de milho. As cápsulas contêm três cepas de bactérias: Lactobacillus
gasseri: 2,6 bilhões UFC; Bifidobacterium bifidum: 0,2 bilhões de
organismos; Bifidobacterium longum: 0,2 bilhões de organismos. Esse
produto foi escolhido pois em estudos anteriores foi demonstrado benéfico aos
atletas.
Os
participantes consumiram um comprimido
por dia ao longo do tratamento e completaram um diário de sintomas sobre a infecção e a gravidade, tudo isso
acompanhado por um pesquisador para garantir a conformidade. Nos dias que não
tiveram treino os jogadores também receberam as cápsulas e tiveram que
preencher o questionário durante esses dias. Eles relatavam se estavam fazendo
o uso de algum medicamento durante o período de intervenção, como analgésicos,
e se caso estavam tomando algum medicamento para infecção não eram obrigados a
abster-se.
O
questionário dos sintomas abordou os seguintes tipos de infecção: infecções do trato
respiratório superior e do tórax, gripe, desconforto gastrointestinal,
cefaléia, irritação ocular, erupções cutâneas, abscessos cutâneos e outros. Os
participantes também auto avaliavam a gravidade dos sintomas como leve,
moderado e grave. Se o participante apresentasse um ou mais sintomas por dois
dias consecutivos, era definido como um episódio de doença.
4. Resultados: A incidência relatada de sintomas de infecção do trato respiratório
superior foi elevada para ambos, placebo (19) e probiótico (16). Porém, a
incidência para qualquer sintoma se mostrou mais elevada para placebo (24) do
que para probiótico (16).
Ainda em relação aos sintomas, 14 indivíduos no grupo probiótico não
experimentaram um único episódio de infecção respiratória, em comparação com 6
de placebo.
5. Discussão: O achado mais importante do estudo foi
uma redução significativa no número de
episódios de infecção do trato respiratório superior ou GI em participantes na
intervenção probiótica, em comparação com placebo. E além disso, uma
redução significativa no número de dias que relatam quaisquer sintomas durante
o tratamento com probióticos em comparação com placebo, indica consequências clínicas positivas e fornece evidências dos efeitos
benéficos da suplementação diária com estas cepas probióticas em
jogadores altamente treinados de rugby.
O estudo corrobora com dois
estudos recentes de Glesson et al. (2011) e Cox et al. (2010) que sugerem que
os probióticos reduzem a incidência de doença em atletas. E de fato, o projeto
do presente estudo é similar ao estudo de Cox et al. (2010), ambos relatando
efeitos benéficos. No entanto,
Glesson et al. (2012) e Kekkonen et al.
(2007) não relataram redução na incidência de doença com suplementação
probiótica, porém a diferença entre os protocolos, incluindo o tempo de
suplementação probiótica e as cepas probióticas, podem explicar essas
diferenças.
Tiollier et
al. (2007) e Kekkonen et al. (2007) também não
encontraram benefícios na incidência de infecções respiratórias, porém as cepas
utilizadas por eles foram: Lactobacillus salvarius e Lactobacillus
rhamnosus GG, enquanto Lactobacillus gasseri, Bifidobacterium bifidum
e Bifidobacterium longum foram utilizados no presente estudo.
Os efeitos benéficos da administração
probiótica estão possivelmente ligados à estimulação das células imunes,
aumentando assim a imunidade. O presente estudo não teve meios de determinar os
parâmetros imunológicos, como IFNγ e
concentrações de citocinas no sangue, devido a restrições de trabalho com
atletas de elite, porém no estudo teve uma redução na incidência de doença, o
que sugere que os probióticos podem ser
um suplemento nutricional útil para os jogadores de elite de rugby.
O estudo
não encontrou probióticos que tenham efeitos significativos sobre a gravidade
de qualquer infecção respiratória ou gastrointestinal, mas de Vrese et al. (2006) e Pregliasco et al.
(2008) descobriram que a suplementação probiótica diminui a gravidade
dos sintomas na população em geral e West
et al. (2011) e Cox et al. (2010) em atletas masculinos de resistência.
6. Conclusão: O estudo suporta
a hipótese de que a suplementação probiótica irá reduzir a duração dos sintomas
de doença entre jogadores de elite de rugby.
Demonstra que a suplementação probiótica ingerida numa base diária a uma taxa
de dose de 3,0 × 10(9) UFC reduz o número de participantes que
relatam qualquer incidência de um sintoma infeccioso em jogadores altamente
treinados de elite de rugby.
Estas descobertas são um importante benefício para esses jogadores, pois quando
eles estão doentes as sessões de treino são interrompidas e o desempenho fica
prejudicado.
