sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Estimativa de gasto energético em obesos graves: uma nova equação

A pesquisa faz parte do mestrado da nutricionista Lilian Mika Horie da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com orientação do professor doutor Dan Linetzky Waitzberg. O objetivo foi desenvolver uma nova equação para estimar o gasto energético de repouso em indivíduos com obesidade grave. O estudo foi composto por 120 pacientes gravemente obesos, que foram submetidos à avaliação antropométrica (peso, altura e IMC), avaliação da composição corporal (por bioimpedância elétrica) e gasto energético de repouso (por calorimetria indireta). Inicialmente foram comparadas algumas equações preditivas (Harris-Benedict-1919, Ireton-Jones-2002, Owen-1986-1987 e Mifflin­­-1990) com a calorimetria indireta e em seguida, foi desenvolvida uma nova equação com base em dados da massa magra e peso corporal. Nova equação proposta por Horie-Waitzberg & Gonzalez:
GER = 560,43 + (5,39 × peso atual) + (14,14 × massa magra) 


    

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Água de Coco X Isotônicos

No dia 23/02, participei do programa Revista + da apresentadora Izabelle Stein, na TV+, falando dos benefícios da água de coco e isotônicos. Vou deixar aqui alguns tópicos discutidos no programa: 
A água de coco e o isotônico possuem composições químicas semelhantes. Além de carboidratos que dão energia, eles são ricos em sais minerais, principalmente sódio e potássio. Essas bebidas são consideradas isotônicas devido à quantidade desses minerais ser parecida com os fluidos do nosso corpo.
A água de coco é uma bebida leve, refrescante e pouco calórica, apresentando em média 45 calorias por 200 ml (1 copo americano). Essas calorias são provenientes dos carboidratos, mais especificamente, dos açúcares como frutose, glicose e sacarose. A doçura da água do coco depende da maturação do fruto, sendo mais doce a partir do sexto mês até o oitavo mês (nessa época, a concentração de frutose livre é maior – e com o passar do tempo esse teor diminui devido à síntese de sacarose a partir da glicose e frutose). A partir do oitavo mês ocorre redução no volume de água, no açúcar e minerais, enquanto os teores de gordura e proteína aumentam. 
A água de coco é utilizada para reidratação em casos de diarreias, vômitos e até mesmo pela desidratação provocada na prática esportiva, ajudando na melhora de rendimento, melhora de câimbras e fraqueza muscular. De acordo com estudos, ela apresenta também propriedades antioxidantes, atribuída à presença da vitamina C em sua composição (embora mais de um princípio ativo possa estar envolvido). A industrialização da água de coco vendida em caixinha é feita para reduzir os custos de transporte, e aumentar a vida de prateleira. Mesmo que durante o processo não ocorra perdas dos principais nutrientes, deve-se ter o cuidado com os conservantes, que podem ser nocivos ao organismo.
Já os isotônicos foram desenvolvidos para repor líquidos e sais minerais perdidos pelo suor, com efeito de prevenir a desidratação e melhora da performance esportiva. De acordo com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), são classificados como alimentos para praticantes de atividades físicas para facilitar a reidratação após ou durante a prática de exercícios intensos. Em sua formulação, os isotônicos possuem uma taxa pequena de carboidratos, que varia de 6 a 8% (principalmente maltodextrina ou frutose). Eles são indicados quando ocorre uma perda de mais de 2% do peso do individuo através da transpiração, ou então para atividades físicas com mais de uma hora de duração. 
A utilização dos isotônicos no dia a dia deve ser feita de maneira balanceada, pois uma garrafinha de isotônico (500 ml) contém 120 kcal e 30g de carboidratos, o que equivale a 1 pão francês ou 6 bolachas salgadas.  Portanto, deve-se estar atendo ao consumo excessivo dos isotônicos como da água de coco, pois por possuírem açucares, podem levar ao ganho de peso. Indivíduos com diabetes, hipertensão e deficiência renal devem consultar médicos e nutricionistas devido à quantidade de sódio e potássio, que em uma quantidade maior pode trazer danos à sua saúde.




segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Novo índice antropométrico

Publicado na revista Obesity (2011), o artigo A Better Index of Body Adiposity traz um novo índice, o índice adiposidade corporal (BAI), que reflete a porcentagem de gordura corporal de homens e mulheres adultos. Este índice seria uma alternativa ao índice de massa corporal (IMC), muito utilizado na prática clínica. Enquanto o IMC envolve medidas antropométricas como altura e peso, o BAI usa circunferência do quadril e altura. Os pesquisadores relatam este índice como um modo prático, e de confiança para estimar a adiposidade.
No estudo, os pesquisadores confirmaram a exatidão do índice ao compará-lo com uma pesquisa que utilizaram a densiometria (DXA) para medir a obesidade, e observaram uma boa correlação.






sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Fracionamento das refeições: qual benefício?

Uma das regras da alimentação saudável é realizar entre cinco e seis refeições ao longo do dia, contendo pequeno volume de alimento. Mas afinal, qual o benefício que esse maior fracionamento de refeições proporciona?
Os estudos  que mostram os efeitos fisiológicos da frequência de refeições durante o dia ainda é um pouco limitado.
Sabemos que a quantidade e o tipo de calorias consumidas, juntamente com a frequência alimentar, é fortemente influenciada pela sociologia e fatores culturais. Algumas evidências recentes sugerem que a frequência com que se come também pode ser, influenciada geneticamente.
Recentemente a ISSN publicou uma revisão tratando deste assunto. Nos diversos estudos revisados afirmou que:
1. Aumentar a frequência das refeições não parece modificar favoravelmente a composição corporal em populações sedentárias (poucos estudos em atletas).
2. Se os níveis de proteína forem adequados, aumentando a frequência das refeições durante os períodos de dieta hipocalórica, a massa magra em atletas é mantida.
3. Maior frequência das refeições parece ter um efeito positivo sobre vários marcadores, particularmente LDL colesterol, colesterol total e insulina.
4. Maior frequência das refeições não parece melhorar significativamente a termogênese induzida pela dieta.
5. Aumentar a frequência das refeições parece ajudar a diminuir a fome e melhorar o controle do apetite.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Arginina e pré - eclampsia

A pré-eclâmpsia e arginina estão entre as principais causas de morbidade maternal e  neonatal. O papel da nutrição no desenvolvimento de pré-eclâmpsia tem sido um tema de muita discussão e alguns dados em animais e humanos indicam que L-arginina poderia ter um efeito benéfico.
A revista British Medical Journal publicou recentemente um estudo onde mostrou que a suplementação de L-arginina  e vitaminas antioxidantes em mulheres com alto risco de pré-eclâmpsia reduziu a ocorrência da doença. As gestantes foram divididas em 3 grupos recebendo 2 barras alimentares por dia, sendo: grupo placebo, grupo vitamina antioxidante (250 mg vitamina C/barra, 200 UI vitamina E/barra) e L-arginina (3,3 g/barra) e grupo somente vitamina antioxidantes (250 mg vitamina C/barra, 200 UI vitamina E/barra).
A incidência de  pré-eclâmpsia foi reduzida nas mulheres que receberam L-arginina mais vitaminas antioxidantes em comparação com o placebo. As  vitaminas antioxidantes isoladamente demonstrou benefício, mas este efeito não foi estatisticamente significativo.
Os autores sugerem que são necessários mais estudos para determinar se esses resultados podem ser replicados, pois se trata de uma intervenção simples e de baixo custo, e ainda identificar se eles são devidos a L-arginina isoladamente ou a combinação de L-arginina com vitaminas antioxidantes.








segunda-feira, 10 de outubro de 2016

As fórmulas infantis e suas informações nutricionais.

Hoje em dia, várias mães não conseguem amamentar seus filhos em decorrência do estilo de vida, por voltarem a trabalhar muito cedo. Esse fato vem preocupando muitos médicos e nutricionistas, já que a importância do aleitamento é indiscutível, pois o leite materno contém ácidos graxos que atuam no crescimento, funcionalidade e integridade do cérebro, além de outras vitaminas e sais minerais nas quantidades ideais para que as necessidades do bebê sejam supridas. Portanto, uma alimentação insuficiente quanto a esses nutrientes essenciais para este período de desenvolvimento pode compromete a saúde da criança.            
As fórmulas infantis para lactentes são produtos na forma líquida ou em pó, destinado à alimentação de lactentes, que só devem ser utilizadas sob prescrição, em substituição total ou parcial do leite materno, para satisfação das necessidades nutricionais da criança.
Mas será que estas fórmulas têm realmente as quantidades ideais de nutrientes para suprir as necessidades nutricionais do bebê, como prometem os fabricantes?
A Faculdade de Ciências farmacêuticas, da Universidade de São Paulo, publicou em Abril deste ano um estudo que avaliou por meio de análises laboratoriais, os teores de gordura total e de ácidos graxos de fórmulas infantis comercializadas no Estado de São Paulo, e comparou os resultados com os valores da informação nutricional fornecida pelos fabricantes.     
Foram analisadas quatorze amostras de fórmulas infantis indicadas para prematuros, para crianças de 0 a 6 meses, e crianças de 6 a 12 meses. Os pesquisadores observaram que as informações da maioria dos rótulos das fórmulas analisadas fornecidas pelos fabricantes estavam em desacordo com a real composição nutricional do produto.
Mas o desencontro de informações não é o ponto mais importante quando se discute sobre a alimentação da criança até os dois anos de idade. A principal justificativa para o incentivo ao aleitamento materno é o fato inquestionável de que o leite materno é o único que garante o aporte nutricional adequado, possibilitando o desenvolvimento ideal do bebê, além de aumentar o vínculo entre mãe e filho. Além disso, não podemos esquecer que a amamentação traz vantagens também a mãe, por favorecer a recuperação pós-parto, contribuindo para a involução uterina e diminuição do sangramento.



quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Substituições Saudáveis

Para melhorar seus hábitos alimentares, você primeiro deve saber o que há de errado com eles. Listamos aqui algumas substituições alimentares simples, que independente do seu objetivo na nutrição, proporcionarão mais saúde e qualidade de vida.
·         Os leites e iogurtes integrais, queijos amarelos e cremosos, chantili e creme de leite possuem muita gordura comparado aos seus substitutos: leite e iogurtes desnatados, queijo branco, cottage, ricota, requeijão e cream cheese light;

·         Substitua as frutas e oleaginosas como abacate, coco, amendoim, nozes, castanhas e avelã por todas as demais frutas e de preferência consumi-las com casca;

·         Evite carnes com gordura aparente, carne de porco, pele de frango, coxa de frango, empanados, embutidos (salsicha, hambúrguer, linguiça, entre outros) e frios em geral (como presunto, salame e mortadela), dando preferência para carnes brancas e magras. A forma de preparo pode ser cozida, grelhada ou assada, evitando as frituras;

·         No consumo de massas, prefira as massas simples sem recheio, molhos a base de tomate fresco com vegetais ou ervas;

·         Prefira sopas de legumes, canja, sopa de macarrão, feijão, lentilha ou grão de bico, ao invés de sopas cremosas (cremes de queijo, cebola, aspargos);

·         Prefira os doces de frutas, frutas in natura, gelatinas diet/light ao invés de biscoitos recheados, bolos confeitados, massa folhada, doces à base de creme de leite, sorvetes cremosos e chocolates;

·         Devemos sempre lembrar quanto às gorduras, que seu consumo deve ser na quantidade mínima necessária ao organismo, dando sempre preferência às gorduras de origem vegetal (óleos vegetais, azeite, margarina light) ao invés das de origem animal (bacon, banha, toucinho, maionese);

Lembre-se: não há como mudar seus hábitos alimentares da noite para o dia. O ideal é que você inclua essas substituições aos poucos, corrigindo possíveis deficiências e excessos.  Assim é possível ter uma alimentação saudável, uma vida mais longa e com mais qualidade, além de muito mais autocontrole e disciplina!



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Suplementação de creatina

Desde que foi demonstrado que a suplementação de creatina promove aumento nas concentrações de creatina muscular, diversos estudos começaram a investigar o efeito desta suplementação no rendimento físico.
O artigo de revisão de GUALANO et al., publicado em 2010 pela Revista Brasileira de Medicina do Esporte, realizou uma atualização sobre esse tema. Os estudos analisados evidenciaram maior aumento na mas­sa magra em consequência da suplementação de creatina, combinada com o treinamento de força. Porém, ainda não se pode afirmar com certeza se as adaptações positivas ocasionadas com a creatina são efeitos diretos da sua suplementação ou se são mediadas pelo aumento no volume de treinamento. No entanto, há contundência ao se falar sobre os efeitos da suplementação de creatina na promoção de ganho de massa magra. Outro fato interessante é o uso terapêutico desta substância em algumas doenças caracterizadas por acometimentos musculares, por exemplo, miopatias inflamatórias, o que também tem surtido efeitos, demonstrando melhoras clínicas e fisiológicas.
Sendo assim, as recomendações sobre a suplementação de creatina precisam ser revisadas e atualizadas e mais estudos precisariam ser realizados.