quarta-feira, 3 de maio de 2017

Benefícios da Suplementação Probiótica em Atletas de Rugby

O tema escolhido dessa semana para discussão, foi o uso de probióticos em esportes de resistência. 
Selecionamos esse estudo com Atletas de Rugby para verificar os benefícios desse tipo de tratamento. 
Disponibilizamos abaixo um breve resumo do artigo.


1.            Referência bibliográfica:
HAYWOOD, Brylee A. et al. Probiotic supplementation reduces the duration and incidence of infections but not severity in elite rugby union players. New Zealand. Journal of Science and Medicine in Sports, p. 1-5, ago. 2013.

2. Introdução: Os atletas envolvidos em exercícios intensos prolongados tendem a ser mais suscetíveis a infecções do trato respiratório superior do que os indivíduos que praticam exercícios moderados. É de interesse de médicos e treinadores diminuir o risco de infecção, pois ela pode prejudicar o desempenho do atleta, ou até mesmo, perder dias de treinamento. Os jogadores de rugby podem treinar aproximadamente de 4 a 5 horas por dia, de 5-6 dias por semana, com partidas competitivas uma vez na semana. Esse tipo de programa de treinamento intensivo pode aumentar o risco de infecção do trato respiratório e também da supressão do sistema imunológico.
Os probióticos podem atenuar o risco de algumas infecções, pois alteram a microbiota do intestino, que pode estimular a função imunológica.
Acredita-se que os benefícios da suplementação probiótica sejam específicos da cepa, pois apenas algumas têm sobrevivido ao trânsito gástrico e podem permanecer no lúmen intestinal. As cepas mais comuns usadas para promover a função imune são as bactérias lácticas: Lactobaciullus e Bifidobacterium. Vários estudos têm investigado os efeitos da suplementação probiótica e sua função imunológica em atletas de resistência, com duração de três semanas a quatro meses de intervenção. Embora as cepas probióticas, as concentrações e os métodos de administração tenham variado, os efeitos geralmente têm sido benéficos.
Com isso, este estudo de intervenção teve como objetivo investigar o efeito de quatro semanas de suplementação probiótica na incidência, duração e gravidade das infecções durante um mês de competição. Testando assim a hipótese de que a suplementação probiótica diminui o número, a duração e a gravidade dos sintomas de infecção entre os atletas de elite de rugby.

3. Metodologia: Foi realizado um estudo randomizado, simples cego, placebo controlado, cruzado com probiótico e placebo. Cada tratamento durou 4 semanas, separados por um período de washout de 4 semanas, entre os meses de inverno de maio a julho (com faixa de temperatura de - 4ºC a + 18ºC). Os probióticos ou suplementos placebo (variáveis independentes) foram consumidos diariamente e um diário de sintomas foi preenchido todos os dias para identificar as variáveis dependentes: sintomas de trato respiratório superior, gastrointestinal e outras infecções.
O Comitê de Ética Humana da Universidade de Otago aprovou este estudo, e as medidas foram descritas para todos os jogadores antes de darem seu consentimento por escrito para participar.
No início do estudo a amostra era composta por 34 jovens saudáveis, mas chegou ao fim do estudo com 25 participantes, com faixa etária entre 24 ± 3,6 anos. O peso no início do estudo dos participantes foi de 104 ± 12,8kg.
Durante o período do estudo os participantes continuaram seu programa de treino e competição normal, e orientados a manter uma dieta normal, porém a abster-se de iogurte enriquecido com probióticos e alimentos enriquecidos com probióticos e prebióticos ou suplementos (probióticos, vitaminas e minerais). Os jogadores treinaram 4 vezes por semana, durante 4h; participaram de 1 dia de competição e 2 dias de auto regeneração e treinamento leve.
Foi fornecido aos participantes em ordem aleatória uma cápsula de gelatina probiótica ou uma cápsula de placebo contendo farinha de milho. As cápsulas contêm três cepas de bactérias: Lactobacillus gasseri: 2,6 bilhões UFC; Bifidobacterium bifidum: 0,2 bilhões de organismos; Bifidobacterium longum: 0,2 bilhões de organismos. Esse produto foi escolhido pois em estudos anteriores foi demonstrado benéfico aos atletas.
Os participantes consumiram um comprimido por dia ao longo do tratamento e completaram um diário de sintomas sobre a infecção e a gravidade, tudo isso acompanhado por um pesquisador para garantir a conformidade. Nos dias que não tiveram treino os jogadores também receberam as cápsulas e tiveram que preencher o questionário durante esses dias. Eles relatavam se estavam fazendo o uso de algum medicamento durante o período de intervenção, como analgésicos, e se caso estavam tomando algum medicamento para infecção não eram obrigados a abster-se.
O questionário dos sintomas abordou os seguintes tipos de infecção: infecções do trato respiratório superior e do tórax, gripe, desconforto gastrointestinal, cefaléia, irritação ocular, erupções cutâneas, abscessos cutâneos e outros. Os participantes também auto avaliavam a gravidade dos sintomas como leve, moderado e grave. Se o participante apresentasse um ou mais sintomas por dois dias consecutivos, era definido como um episódio de doença.

4. Resultados: A incidência relatada de sintomas de infecção do trato respiratório superior foi elevada para ambos, placebo (19) e probiótico (16). Porém, a incidência para qualquer sintoma se mostrou mais elevada para placebo (24) do que para probiótico (16).
Ainda em relação aos sintomas, 14 indivíduos no grupo probiótico não experimentaram um único episódio de infecção respiratória, em comparação com 6 de placebo.

5. Discussão: O achado mais importante do estudo foi uma redução significativa no número de episódios de infecção do trato respiratório superior ou GI em participantes na intervenção probiótica, em comparação com placebo. E além disso, uma redução significativa no número de dias que relatam quaisquer sintomas durante o tratamento com probióticos em comparação com placebo, indica consequências clínicas positivas e fornece evidências dos efeitos benéficos da suplementação diária com estas cepas probióticas em jogadores altamente treinados de rugby.
O estudo corrobora com dois estudos recentes de Glesson et al. (2011) e Cox et al. (2010) que sugerem que os probióticos reduzem a incidência de doença em atletas. E de fato, o projeto do presente estudo é similar ao estudo de Cox et al. (2010), ambos relatando efeitos benéficos. No entanto, Glesson et al. (2012) e Kekkonen et al. (2007) não relataram redução na incidência de doença com suplementação probiótica, porém a diferença entre os protocolos, incluindo o tempo de suplementação probiótica e as cepas probióticas, podem explicar essas diferenças.
Tiollier et al. (2007) e Kekkonen et al. (2007) também não encontraram benefícios na incidência de infecções respiratórias, porém as cepas utilizadas por eles foram: Lactobacillus salvarius e Lactobacillus rhamnosus GG, enquanto Lactobacillus gasseri, Bifidobacterium bifidum e Bifidobacterium longum foram utilizados no presente estudo.
Os efeitos benéficos da administração probiótica estão possivelmente ligados à estimulação das células imunes, aumentando assim a imunidade. O presente estudo não teve meios de determinar os parâmetros imunológicos, como IFNγ e concentrações de citocinas no sangue, devido a restrições de trabalho com atletas de elite, porém no estudo teve uma redução na incidência de doença, o que sugere que os probióticos podem ser um suplemento nutricional útil para os jogadores de elite de rugby.
O estudo não encontrou probióticos que tenham efeitos significativos sobre a gravidade de qualquer infecção respiratória ou gastrointestinal, mas de Vrese et al. (2006) e Pregliasco et al. (2008) descobriram que a suplementação probiótica diminui a gravidade dos sintomas na população em geral e West et al. (2011) e Cox et al. (2010) em atletas masculinos de resistência.

6. Conclusão: O estudo suporta a hipótese de que a suplementação probiótica irá reduzir a duração dos sintomas de doença entre jogadores de elite de rugby. Demonstra que a suplementação probiótica ingerida numa base diária a uma taxa de dose de 3,0 × 10(9) UFC reduz o número de participantes que relatam qualquer incidência de um sintoma infeccioso em jogadores altamente treinados de elite de rugby. Estas descobertas são um importante benefício para esses jogadores, pois quando eles estão doentes as sessões de treino são interrompidas e o desempenho fica prejudicado.





sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Estimativa de gasto energético em obesos graves: uma nova equação

A pesquisa faz parte do mestrado da nutricionista Lilian Mika Horie da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com orientação do professor doutor Dan Linetzky Waitzberg. O objetivo foi desenvolver uma nova equação para estimar o gasto energético de repouso em indivíduos com obesidade grave. O estudo foi composto por 120 pacientes gravemente obesos, que foram submetidos à avaliação antropométrica (peso, altura e IMC), avaliação da composição corporal (por bioimpedância elétrica) e gasto energético de repouso (por calorimetria indireta). Inicialmente foram comparadas algumas equações preditivas (Harris-Benedict-1919, Ireton-Jones-2002, Owen-1986-1987 e Mifflin­­-1990) com a calorimetria indireta e em seguida, foi desenvolvida uma nova equação com base em dados da massa magra e peso corporal. Nova equação proposta por Horie-Waitzberg & Gonzalez:
GER = 560,43 + (5,39 × peso atual) + (14,14 × massa magra) 


    

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Água de Coco X Isotônicos

No dia 23/02, participei do programa Revista + da apresentadora Izabelle Stein, na TV+, falando dos benefícios da água de coco e isotônicos. Vou deixar aqui alguns tópicos discutidos no programa: 
A água de coco e o isotônico possuem composições químicas semelhantes. Além de carboidratos que dão energia, eles são ricos em sais minerais, principalmente sódio e potássio. Essas bebidas são consideradas isotônicas devido à quantidade desses minerais ser parecida com os fluidos do nosso corpo.
A água de coco é uma bebida leve, refrescante e pouco calórica, apresentando em média 45 calorias por 200 ml (1 copo americano). Essas calorias são provenientes dos carboidratos, mais especificamente, dos açúcares como frutose, glicose e sacarose. A doçura da água do coco depende da maturação do fruto, sendo mais doce a partir do sexto mês até o oitavo mês (nessa época, a concentração de frutose livre é maior – e com o passar do tempo esse teor diminui devido à síntese de sacarose a partir da glicose e frutose). A partir do oitavo mês ocorre redução no volume de água, no açúcar e minerais, enquanto os teores de gordura e proteína aumentam. 
A água de coco é utilizada para reidratação em casos de diarreias, vômitos e até mesmo pela desidratação provocada na prática esportiva, ajudando na melhora de rendimento, melhora de câimbras e fraqueza muscular. De acordo com estudos, ela apresenta também propriedades antioxidantes, atribuída à presença da vitamina C em sua composição (embora mais de um princípio ativo possa estar envolvido). A industrialização da água de coco vendida em caixinha é feita para reduzir os custos de transporte, e aumentar a vida de prateleira. Mesmo que durante o processo não ocorra perdas dos principais nutrientes, deve-se ter o cuidado com os conservantes, que podem ser nocivos ao organismo.
Já os isotônicos foram desenvolvidos para repor líquidos e sais minerais perdidos pelo suor, com efeito de prevenir a desidratação e melhora da performance esportiva. De acordo com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), são classificados como alimentos para praticantes de atividades físicas para facilitar a reidratação após ou durante a prática de exercícios intensos. Em sua formulação, os isotônicos possuem uma taxa pequena de carboidratos, que varia de 6 a 8% (principalmente maltodextrina ou frutose). Eles são indicados quando ocorre uma perda de mais de 2% do peso do individuo através da transpiração, ou então para atividades físicas com mais de uma hora de duração. 
A utilização dos isotônicos no dia a dia deve ser feita de maneira balanceada, pois uma garrafinha de isotônico (500 ml) contém 120 kcal e 30g de carboidratos, o que equivale a 1 pão francês ou 6 bolachas salgadas.  Portanto, deve-se estar atendo ao consumo excessivo dos isotônicos como da água de coco, pois por possuírem açucares, podem levar ao ganho de peso. Indivíduos com diabetes, hipertensão e deficiência renal devem consultar médicos e nutricionistas devido à quantidade de sódio e potássio, que em uma quantidade maior pode trazer danos à sua saúde.




segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Novo índice antropométrico

Publicado na revista Obesity (2011), o artigo A Better Index of Body Adiposity traz um novo índice, o índice adiposidade corporal (BAI), que reflete a porcentagem de gordura corporal de homens e mulheres adultos. Este índice seria uma alternativa ao índice de massa corporal (IMC), muito utilizado na prática clínica. Enquanto o IMC envolve medidas antropométricas como altura e peso, o BAI usa circunferência do quadril e altura. Os pesquisadores relatam este índice como um modo prático, e de confiança para estimar a adiposidade.
No estudo, os pesquisadores confirmaram a exatidão do índice ao compará-lo com uma pesquisa que utilizaram a densiometria (DXA) para medir a obesidade, e observaram uma boa correlação.






sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Fracionamento das refeições: qual benefício?

Uma das regras da alimentação saudável é realizar entre cinco e seis refeições ao longo do dia, contendo pequeno volume de alimento. Mas afinal, qual o benefício que esse maior fracionamento de refeições proporciona?
Os estudos  que mostram os efeitos fisiológicos da frequência de refeições durante o dia ainda é um pouco limitado.
Sabemos que a quantidade e o tipo de calorias consumidas, juntamente com a frequência alimentar, é fortemente influenciada pela sociologia e fatores culturais. Algumas evidências recentes sugerem que a frequência com que se come também pode ser, influenciada geneticamente.
Recentemente a ISSN publicou uma revisão tratando deste assunto. Nos diversos estudos revisados afirmou que:
1. Aumentar a frequência das refeições não parece modificar favoravelmente a composição corporal em populações sedentárias (poucos estudos em atletas).
2. Se os níveis de proteína forem adequados, aumentando a frequência das refeições durante os períodos de dieta hipocalórica, a massa magra em atletas é mantida.
3. Maior frequência das refeições parece ter um efeito positivo sobre vários marcadores, particularmente LDL colesterol, colesterol total e insulina.
4. Maior frequência das refeições não parece melhorar significativamente a termogênese induzida pela dieta.
5. Aumentar a frequência das refeições parece ajudar a diminuir a fome e melhorar o controle do apetite.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Arginina e pré - eclampsia

A pré-eclâmpsia e arginina estão entre as principais causas de morbidade maternal e  neonatal. O papel da nutrição no desenvolvimento de pré-eclâmpsia tem sido um tema de muita discussão e alguns dados em animais e humanos indicam que L-arginina poderia ter um efeito benéfico.
A revista British Medical Journal publicou recentemente um estudo onde mostrou que a suplementação de L-arginina  e vitaminas antioxidantes em mulheres com alto risco de pré-eclâmpsia reduziu a ocorrência da doença. As gestantes foram divididas em 3 grupos recebendo 2 barras alimentares por dia, sendo: grupo placebo, grupo vitamina antioxidante (250 mg vitamina C/barra, 200 UI vitamina E/barra) e L-arginina (3,3 g/barra) e grupo somente vitamina antioxidantes (250 mg vitamina C/barra, 200 UI vitamina E/barra).
A incidência de  pré-eclâmpsia foi reduzida nas mulheres que receberam L-arginina mais vitaminas antioxidantes em comparação com o placebo. As  vitaminas antioxidantes isoladamente demonstrou benefício, mas este efeito não foi estatisticamente significativo.
Os autores sugerem que são necessários mais estudos para determinar se esses resultados podem ser replicados, pois se trata de uma intervenção simples e de baixo custo, e ainda identificar se eles são devidos a L-arginina isoladamente ou a combinação de L-arginina com vitaminas antioxidantes.








segunda-feira, 10 de outubro de 2016

As fórmulas infantis e suas informações nutricionais.

Hoje em dia, várias mães não conseguem amamentar seus filhos em decorrência do estilo de vida, por voltarem a trabalhar muito cedo. Esse fato vem preocupando muitos médicos e nutricionistas, já que a importância do aleitamento é indiscutível, pois o leite materno contém ácidos graxos que atuam no crescimento, funcionalidade e integridade do cérebro, além de outras vitaminas e sais minerais nas quantidades ideais para que as necessidades do bebê sejam supridas. Portanto, uma alimentação insuficiente quanto a esses nutrientes essenciais para este período de desenvolvimento pode compromete a saúde da criança.            
As fórmulas infantis para lactentes são produtos na forma líquida ou em pó, destinado à alimentação de lactentes, que só devem ser utilizadas sob prescrição, em substituição total ou parcial do leite materno, para satisfação das necessidades nutricionais da criança.
Mas será que estas fórmulas têm realmente as quantidades ideais de nutrientes para suprir as necessidades nutricionais do bebê, como prometem os fabricantes?
A Faculdade de Ciências farmacêuticas, da Universidade de São Paulo, publicou em Abril deste ano um estudo que avaliou por meio de análises laboratoriais, os teores de gordura total e de ácidos graxos de fórmulas infantis comercializadas no Estado de São Paulo, e comparou os resultados com os valores da informação nutricional fornecida pelos fabricantes.     
Foram analisadas quatorze amostras de fórmulas infantis indicadas para prematuros, para crianças de 0 a 6 meses, e crianças de 6 a 12 meses. Os pesquisadores observaram que as informações da maioria dos rótulos das fórmulas analisadas fornecidas pelos fabricantes estavam em desacordo com a real composição nutricional do produto.
Mas o desencontro de informações não é o ponto mais importante quando se discute sobre a alimentação da criança até os dois anos de idade. A principal justificativa para o incentivo ao aleitamento materno é o fato inquestionável de que o leite materno é o único que garante o aporte nutricional adequado, possibilitando o desenvolvimento ideal do bebê, além de aumentar o vínculo entre mãe e filho. Além disso, não podemos esquecer que a amamentação traz vantagens também a mãe, por favorecer a recuperação pós-parto, contribuindo para a involução uterina e diminuição do sangramento.