O desmame é um processo de transição ou introdução da alimentação
complementar. Caracteriza-se pela introdução de qualquer tipo de alimento ou
bebida, incluindo águas, chás ou sucos, na alimentação da criança, diminuindo,
assim a ingestão do leite materno.
O desmame precoce é a interrupção do aleitamento materno antes do
lactente haver completado seis meses de vida, independentemente de a decisão
ser materna ou não e do motivo de tal interrupção.
O processo do desmame deve coincidir com a maturação fisiológica da
criança, estando entre os 04 e os 06 meses de idade, pois é nesta idade que
começam os sinais da maturidade neuromuscular, que permite a introdução de
outros alimentos além do leite.
A oferta de outros alimentos, além do leite, antes do período ideal,
pode tornar a criança mais vulnerável a diarréias, infecções respiratórias e
gastrintestinais e a desnutrição, levando ao comprometimento do crescimento e
desenvolvimento adequados. Além disso, está associado à sobrecarga do sistema
imune, imaturidade dos rins e do intestino e aumenta a morbimortalidade
infantil como consequência de uma menor ingestão dos fatores de proteção do
leite materno.
Há evidências de um possível papel do aleitamento materno na prevenção
do sobrepeso e da obesidade na infância e na adolescência. Nesse contexto,
bebês amamentados têm maior capacidade de autorregulação da ingestão energética
em relação a bebês que recebem alimentação complementar precocemente.
Sugere-se que neonatos alimentados artificialmente apresentem picos
maiores e mais prolongados de secreção de insulina no período pós-prandial em
relação a bebês amamentados, o que, possivelmente, ocasiona maior estímulo à
deposição de proteínas e de lipídeos, influenciando na composição corporal
dessa população, gerando, assim, quadros de sobrepeso e obesidade. Além disso,
pode acarretar disfunções orais.
Lembre-se: O melhor alimento para o bebê é o leite materno.
Somente ele preenche todas as necessidades nutricionais até os seis meses de
vida. Além disso, possui anticorpos que protegem as crianças de diversas
doenças, diminuindo, inclusive, o risco de diarréia e desidratação.
Referências:
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